É verdadeiramente curioso constatar que a nossa vida se baseia numa infindável cadeia de ciclos. Escrevi este poema há anos atrás,como favor a um amigo, que queria impressionar uma rapariga com as suas "aptidões literárias", mas que não tinha absolutamente jeito para a poesia. A muito custo, lá lhe fiz o favor, mas tive que superar a maior dificuldade de todas: como escrever um poema sobre alguém que nem conhecia,e que de forma alguma poderia sequer nutrir nenhum tipo de sentimento?
A resposta para este dilema surgiu quando me veio à mente a imagem de alguém por quem nutro um carinho bastante especial, mas que, por ironia do Destino sou forçado a manter esse mesmo carinho encarcerado dentro de mim, o que me mantém preso num perverso ciclo vicioso de alegria e desilusão. Depois disso as palavras fluiram livremente.
Passados tantos anos, essa imagem tão inspiradora voltou a povoar noite e dia o meu pensamento e levou-me a revisitar este poema, que decidi partilhar. Novamente o ciclo renova-se...
Despertares Ocultos
Sob a terna luz das estrelas eu desperto,
De um sonho que não consigo descrever
Por meras e banais palavras, tão ocas e vãs,
Que tão frequentemente uso para descrever a realidade.
Realidade, tudo aquilo que me rodeia e me sufoca,
Lugar onde toda a luz do meu ser se apaga,
Lugar onde te encontras tão perto, no entanto tão longe,
Ó guardiã da luz que ilumina o mais sombrio dos meus dias,
E aquece a mais fria das minhas noites.
Tal como a Lua, inóspita e sem brilho, me sinto
Quando não sinto a tua presença.
Pois como ela, que necessita do Sol para resplandecer
No céu nocturno, que por tantas vezes contemplo
Eu preciso de ti para não cair no sombrio abraço do esquecimento.
Para mim tu és o Sol que faz renascer a Lua que há em mim,
Graças a ti todo o meu mundo resplandece e brilha,
Fazendo com que toda a Criação pareça sorrir
Como que banhada por um oceano de alegria,
Que lentamente erode as praias da tristeza e pesar.
Por tudo isto te agradeço, nesta amálgama de palavras e pensamentos
Saídos do mais íntimo do meu ser, do meu coração.
Em ti eu me descobri e secretamente despertei
Para um sonho do qual jamais quero acordar.
domingo, 21 de março de 2010
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