quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aos amores impossíveis...


Minha Rainha

Aprisionado estou num reino de solidão,
Feito de trevas, desespero e horror
Tão gélido por nele não encontrar o teu calor
Calor tão terno, que aquece meu frio coração.

A tua ausência dilacera o meu pensamento
Como o mais afiado dos punhais,
Afoga minha alma num mar de tormento
Mar revolto pelo mais violento dos temporais.

Quando sinto tua presença, te sinto junto a mim
O meu soturno mundo sorri, repleto de sentimento
Meu coração rejubila com alegria sem fim
Silenciando meu sofrido lamento.

Junto a ti tudo parece belo, imaculado, divino
E a eternidade torna-se um mero segundo
Em ti revela-se o meu glorioso destino:
Governar a teu lado o meu pequeno mundo.

Mesmerizado pelo teu olhar meigo e mágico
Entrego-me a fantasias, a um sonho eterno
De que sou acordado por um pensamento trágico
Que de novo faz arder minha alma no Inferno.

Pensamento que me retorna á cruel realidade,
Realidade em que meu sonho nunca nasceu,
Que me faz ver a mais dolorosa verdade
Vivo no teu coração, mas ele não é meu.

Nesse fatídico momento percebo que a luz no teu olhar
Não é o sol do meu céu, nem nunca o poderá ser,
Que no meu pequeno mundo nunca irás reinar
Porque eu te perdi mesmo antes de te ter.

E é com pesar que te vejo mais uma vez partir
De regresso ao teu mundo, aos braços do teu senhor.
Pelo teu regresso esperarei, para mais uma vez sorrir
Para mais uma vez te ver, meu eterno amor.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Silêncio

Quotidianamente definimos silêncio como a total ausência de som em determinado local. A sua presença é sinónimo de calma, de serenidade e de ordem. No entanto, nem sempre é assim, pois como todas as coisas no mundo, o silêncio pode trazer um sem número de malefícios e consequências nefastas.
O isolamento é, para nós, uma das mais graves consequências do silêncio. Quantas vezes já nos encontrámos em situações em que precisamos de ouvir aquela palavra de amizade, de encorajamento, ou até mesmo de carinho, mas não existe ninguém para as proferir? Nesse momento somos quase como alguém que se perdeu no deserto, cuja única coisa que consegue quebrar o silêncio são os seus próprios gritos de aflição e desespero, que mais ninguém pode ouvir.
Existem também aquelas alturas em que realmente desejamos desesperadamente dizer algo que nos vai na alma, mas por várias razões somos forçados a remeter-nos ao silêncio, quer seja para não ferir terceiros, ou porque pura e simplesmente temos medo das palavras que vamos dizer. É sempre duro nunca podermos dizer o tão sentido "Amo-te" aquela pessoa especial, sabendo de antemão as terríveis consequências de o dizermos, perdendo assim uma hipótese de alcançarmos a felicidade. Assim como é igualmente doloroso não podermos manifestar o nosso mais aceso ódio por alguém que odiamos visceralmente, assim permitindo que esse mesmo ódio nos revolva nas entranhas para sempre. Nestes casos em particular o silêncio é sinónimo de caos, uma vez que obriga a contermos na nossa mente um sem número de sentimentos e ideias num estado de permanente conflito, que desesperadamente tentam sair da sua prisão. Este tumulto interno é de uma intensidade e violência tão intensas, que o efeito que pode ter em nós é verdadeiramente devastador, pois vai corroendo aos poucos a nossa sanidade, podendo levar-nos a comportamentos completamente erráticos e despropositados, ou em casos mais extremos, à loucura. É, sem dúvida, a mais devastadora das consequências do silêncio, pois pode significar a nossa destruição.
Perante estas duas situações que acabei de descrever, muitos terão razões para as temer, pois já passaram ou estão actualmente a passar por elas. Muito provavelmente ainda andam a procurar formas de saírem delas, mas sem sucesso. A todas essas pessoas desejo boa sorte, mas peço a todas elas que retribuam o mesmo desejo, para que juntos consigamos finalmente soltar o grito que quebre de vez o silêncio que nos aprisiona a todos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cara ou Coroa

A vida é um emaranhado de escolhas. A cada dia que passa somos confrontados com situações em que temos que escolher o caminho que queremos trilhar, situações que nos dividem, em que escolher significa abdicar de certas coisas, de modo a ganhar outras. É como um eterno jogo de cara ou coroa, em que tudo se resume ás duas faces da moeda,em que tudo é claro e objectivo, onde a única dúvida é o resultado que obtemos no final.
Mas nem tudo é assim tão simples, pois, embora raras, existem vezes que a moeda cai de pé, em que o resultado final é ambiguo e não nos indica o caminho que devemos tomar. Que fazer então? Jogar de novo e esperar que a resposta surja, ou permanecer inerte, eternamente dividido pela dúvida, sem nunca enveredar por um dos caminhos á nossa escolha?
Gostaria de ter uma inspirada resposta para esta questão, mas de momento não consigo, pois ainda estou a olhar para a maldita moeda...