Minha Rainha
Aprisionado estou num reino de solidão,
Feito de trevas, desespero e horror
Tão gélido por nele não encontrar o teu calor
Calor tão terno, que aquece meu frio coração.
A tua ausência dilacera o meu pensamento
Como o mais afiado dos punhais,
Afoga minha alma num mar de tormento
Mar revolto pelo mais violento dos temporais.
Quando sinto tua presença, te sinto junto a mim
O meu soturno mundo sorri, repleto de sentimento
Meu coração rejubila com alegria sem fim
Silenciando meu sofrido lamento.
Junto a ti tudo parece belo, imaculado, divino
E a eternidade torna-se um mero segundo
Em ti revela-se o meu glorioso destino:
Governar a teu lado o meu pequeno mundo.
Mesmerizado pelo teu olhar meigo e mágico
Entrego-me a fantasias, a um sonho eterno
De que sou acordado por um pensamento trágico
Que de novo faz arder minha alma no Inferno.
Pensamento que me retorna á cruel realidade,
Realidade em que meu sonho nunca nasceu,
Que me faz ver a mais dolorosa verdade
Vivo no teu coração, mas ele não é meu.
Nesse fatídico momento percebo que a luz no teu olhar
Não é o sol do meu céu, nem nunca o poderá ser,
Que no meu pequeno mundo nunca irás reinar
Porque eu te perdi mesmo antes de te ter.
E é com pesar que te vejo mais uma vez partir
De regresso ao teu mundo, aos braços do teu senhor.
Pelo teu regresso esperarei, para mais uma vez sorrir
Para mais uma vez te ver, meu eterno amor.

