Quotidianamente definimos silêncio como a total ausência de som em determinado local. A sua presença é sinónimo de calma, de serenidade e de ordem. No entanto, nem sempre é assim, pois como todas as coisas no mundo, o silêncio pode trazer um sem número de malefícios e consequências nefastas.
O isolamento é, para nós, uma das mais graves consequências do silêncio. Quantas vezes já nos encontrámos em situações em que precisamos de ouvir aquela palavra de amizade, de encorajamento, ou até mesmo de carinho, mas não existe ninguém para as proferir? Nesse momento somos quase como alguém que se perdeu no deserto, cuja única coisa que consegue quebrar o silêncio são os seus próprios gritos de aflição e desespero, que mais ninguém pode ouvir.
Existem também aquelas alturas em que realmente desejamos desesperadamente dizer algo que nos vai na alma, mas por várias razões somos forçados a remeter-nos ao silêncio, quer seja para não ferir terceiros, ou porque pura e simplesmente temos medo das palavras que vamos dizer. É sempre duro nunca podermos dizer o tão sentido "Amo-te" aquela pessoa especial, sabendo de antemão as terríveis consequências de o dizermos, perdendo assim uma hipótese de alcançarmos a felicidade. Assim como é igualmente doloroso não podermos manifestar o nosso mais aceso ódio por alguém que odiamos visceralmente, assim permitindo que esse mesmo ódio nos revolva nas entranhas para sempre. Nestes casos em particular o silêncio é sinónimo de caos, uma vez que obriga a contermos na nossa mente um sem número de sentimentos e ideias num estado de permanente conflito, que desesperadamente tentam sair da sua prisão. Este tumulto interno é de uma intensidade e violência tão intensas, que o efeito que pode ter em nós é verdadeiramente devastador, pois vai corroendo aos poucos a nossa sanidade, podendo levar-nos a comportamentos completamente erráticos e despropositados, ou em casos mais extremos, à loucura. É, sem dúvida, a mais devastadora das consequências do silêncio, pois pode significar a nossa destruição.
Perante estas duas situações que acabei de descrever, muitos terão razões para as temer, pois já passaram ou estão actualmente a passar por elas. Muito provavelmente ainda andam a procurar formas de saírem delas, mas sem sucesso. A todas essas pessoas desejo boa sorte, mas peço a todas elas que retribuam o mesmo desejo, para que juntos consigamos finalmente soltar o grito que quebre de vez o silêncio que nos aprisiona a todos.
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