
Hoje é um dia triste. Mais uma boa alma se foi deste mundo. è com amargo pesar que escrevo estas linhas,não só para prestar uma última homenagem a tão nobre ser, mas tambem como forma de ter a oportunidade de manter a sua memória viva, nem que seja só neste mundo virtual. Esta homenagem pode parecer disparatada e sem sentido para a maior parte de vós, mas para mim significa muito mais do que possam imaginar.
O meu primeiro momento consciente de hoje foi marcado pela voz chorosa da minha mãe ao telefone, a dar-me a notícia de que a nossa gatinha Ninja tinha falecido. Morreu após uma noite passada na clínica veterinária, na primeira vez que esteve separada de nós desde que veio para a nossa casa, há oito anos atrás.
Mais do que um simples animal de estimação, a Ninja era um membro da família. Criámo-la desde bebé, vimo-la crescer, aprendemos a vê-la como se fosse um de nós. Para mim era como se fosse uma irmã mais pequena, e sinto a perda dela como tal. Ela esteve presente em todos os momentos marcantes da vida familiar nos últimos anos fossem eles de alegria ou tristeza, sempre com a sua presença invulgar, que quase parecia humana. Nos momentos mais tristes, quase que posso dizer que ela sentia a nossa tristeza, porque olhava para nós fixamente, como se tentasse perguntar o que se passa, e depois sentava-se ao nosso colo para que lhe fizéssemos umas festas. Parecia que queria dizer "Estou aqui amigo. Não consigo falar contigo, mas estou aqui para te fazer sentir melhor.". Esta ligação era ainda mais forte com a minha mãe, porque passava todo o dia em casa com ela, era a sua única companhia quando a casa estava vazia. Lembro-me uma vez de ter entrado em casa e ver a minha mãe a chorar, e a seu lado estar a Ninja a lamber-lhe as lágrimas do rosto. Não houve palavras no mundo para descrever aquela imagem, que guardo até hoje.
Mas, apesar de todo o carinho que ela me deu ao longo destes anos, não pude estar lá na altura em que ela mais precisava. Estava tão embrenhado na minha vida que não pude estar lá para a acompanhar nos seus últimos momentos. Sei que o estar presente não iria evitar a sua morte,pois não havia nada a fazer para a salvar, mas sinto que era o meu dever estar lá, nem que fosse só para que soubesse que estava a seu lado, que partilhava o seu sofrimento e que não a iria deixar morrer sozinha. Mas infelizmente foi assim que morreu.
O que se passou hoje foi uma autêntica chamada à realidade, pois levou-me a recordar que a qualquer momento podemos perder os nossos entes mais queridos, e não podermos estar lá para dizer adeus, só porque estamos tão assoberbados em cumprir obrigações, horários e outras coisas inúteis, que no fim nada significam. O que torna isto tão frustrante é que só nos lembramos disso quando finalmente perdemos alguém, e voltamos de novo a esquecê-lo quando a dor da perda se desvanece. è verdadeiramente triste que tudo seja assim.
Obrigado por tudo o que fizeste por nós, Ninja, e obrigado pela lição que hoje me fizeste aprender. Nunca te esqueceremos. ADEUS . :(


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