Antes de mais nada, tenho que agradecer à minha amiga Ana por me ter proporcionado a interessante conversa de Sábado, na qual se começou a falar de música, passou pela Ecologia,religião, entre outras coisas e acabou mais ou menos na criação do próprio Universo.
Foi esta "pequena" conversa que me deu inspiração para escrever este texto.
Para o ser humano o acto de falar é tão comum e necessário como o acto de respirar. É este simples, mas tão fundamental acto que nos permite comunicar com o mundo que nos rodeia, que possibilita expressarmos as nossas ideias, convicções e sentimentos. Até aqui nada de novo. Mas tão comum se tornou que, pouco a pouco, começou a ser banalizado, desperdiçado em conversações sem conteúdo, que não passam apenas de meras constatações do óbvio, nascidas do tédio do quotidiano, que se tem tornado cada vez mais cinzento e enfadonho a cada dia que passa.
È frequente depararmo-nos no dia-a-dia com exemplos gritantes desta falta de conteúdo nas conversas , muitas vezes nem temos que procurar muito , bastando apenas olhar para aqueles que nos são mais próximos, sejam eles familiares, amigos, ou até mesmo colegas de trabalho. Quantas vezes já presenciámos a típica cena da “conversa de café”, em que se discute temas tão interessantes como a vida alheia, o estado do tempo, os incontornáveis dramas e desencantos do futebol, da exasperante saturação da carreira profissional que odiamos ,mas que fomos forçados a seguir , ou até mesmo sobre absolutamente nada? Pessoalmente gosto bastante de observar estas últimas, por serem tão engraçadas, visto que todos os que nela participam apenas se limitam a dizer qualquer coisa, por mais sem nexo que seja, apenas para a conversa não morrer, somente com o intuito de impedir a chegada do longo e incómodo silêncio que normalmente se instala quando já ninguém se consegue lembrar de mais nada para dizer.
Em suma, nós perdemo-nos cada vez mais neste marasmo de ideias, que teima em se instalar no seio das nossas conversas diárias. Mas, embora sejam cada vez mais raras, existem excepções a esta regra. Por vezes lá conseguimos vislumbrar a tão desejada luz ao fundo do túnel, acabando por finalmente participar numa conversa com um tema realmente interessante, que consegue desafiar a nossa adormecida mente a pensar e a livrar-se dos seus automatismos inúteis. Para que isto aconteça não é necessário que nenhum dos intervenientes possua doses maciças de cultura geral ou grande formação académica, antes pelo contrário, pois muitos dos filósofos e académicos deste mundo tendem a perder-se no seu próprio conhecimento, o que torna o seu discurso oco e desinteressante para os demais . O que realmente importa é o interesse dos envolvidos no respectivo tema e de cada um deles estar incondicionalmente disposto a expor e compartilhar as suas mais profundas crenças e ideais.
À medida que a conversa se vai desenrolando, a nossa mente vai meticulosamente analisar os argumentos lançados pelo(s) nosso(s) interlocutor(es), de modo a tentar descobrir uma falha, uma brecha no seu raciocínio, para que depois o consiga refutar, discutir, ou quem sabe, complementá-lo de alguma forma. Uma boa conversa pode muito bem ser comparada a um duelo de esgrima, em que através de golpes e contragolpes , os dois adversários tentam desferir a estocada final , aquela que porá fim ao duelo e ditará a vitória de um deles. Só que neste duelo em particular, não existem vencedores ou vencidos, pois ambos partilham o mesmo objectivo, apesar de terem diferentes motivos para o seguir.
Analogias à parte, nada consegue ser mais agradável do que sentir as palavras a fluir livremente, saboreá-las , para que consigamos saciar essa sede de sentido e significado ,tão própria do ser humano.
A sensação de bem-estar que permanece após uma conversa deste tipo é verdadeiramente indescritível,pois começamos a ver as coisas de outra perspectiva. Consegue absorver-nos de tal forma que nos esquecemos por momentos daquelas coisas que nos atormentam o espírito diariamente, e que nos drenam a nossa vontade . Naquele breve momento somos realmente livres, pois não só fomos capazes de dar parte de nós, como também recebemos parte de alguém, conseguindo assim enriquecer como pessoas através dessa partilha mútua de ideias e opiniões.
Concluindo, resta-me apelar a todos vós que se libertem das amarras do tédio, da rotina e do automatismo mundano. Atrevam-se a abrir as portas do pequeno cubículo que criaram nas vossas mentes, e que abram os olhos para apreciar os maravilhosos horizontes que podem ser vossos para descobrir . Partilhem aquilo que vos vai na alma, sem medo ou dúvida, mas estejam também disponíveis para ouvir quem deseja ser ouvido. Se todos conseguirmos, nem que seja só por um dia da nossa vida, atingir este grau de partilha mútua é certamente garantido que conseguiremos melhorar-nos a nós próprios e ao mundo em que vivemos.
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