Revelações
Do meu pacífico repouso fui despertado
Por algo tão violento como o troar dos trovões
Que fustigam os céus no meio da tempestade,
Algo que abalou os já frágeis pilares do meu mundo,
Aquela besta indomável, cujo nome é Verdade.
Inesperada ela veio até mim, tão suavemente,
Qual amante dissimulada que seduz, engana e mente
Destruiu tudo o que vejo, sinto e tomo como real,
Com o seu suave toque destruiu tudo o que eu achava sagrado
E que lutei com todas as forças para manter:
Honra, Lealdade, Sinceridade, Valor, Coragem,
Esses valores tão nobres, que sempre me guiaram
Na vida, essa tão longa e penosa viagem.
Por essa gentil e falsa meretriz eu lutei
Qual paladino que luta pelo que é correcto e justo,
Que com a sua já gasta armadura luta pelo Bem,
Aquela falsa utopia que intensamente vivi e em que sempre acreditei,
Mas que agora vi que não passa de meras cinzas e pó
Levadas pelo áspero vento da Dor e do Desespero,
Meus leais companheiros, que sempre estiveram a meu lado
E que me ajudaram a carregar o meu pesado fardo.
Eis-me então aqui, neste breve, mas infindável momento
Prostrado ante a visão de tão assombrosa majestade,
Completamente rendido ao seu mesmerizante lamento,
Que me trouxe de volta ao frio abraço da Realidade.


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